Portuguese poem
Adoração dos Reis Magos
by Auta de Souza (1876–1901)
Jesus sorri. Que ternura, Que doce favo de luz Vejo brilhar na candura De seus dois olhos azuis!
Chegam os Magos. De joelho, Cheios de unção e de amor, Beijam o pesinho vermelho Do pequenino Senhor.
Trazem-lhe mesmo um tesouro Lembrando glória e tormento: Caçoulas de incenso e ouro É a mirra do sofrimento.
Ó Reis do Grande Oriente, Por que lembrastes, então, Á mãe do louro inocente A dor sem fim da Paixão?
Não vedes que a Virgem chora Olhando a mirra cruel? É que ela se lembra agora Da esponja embebida em fel.
Talvez não vísseis o lindo Bando gentil de pastores Que o rodearam sorrindo, Mas só lhe trouxeram flores!