Portuguese poem
Anno bom
by Auta de Souza (1876–1901)
Hoje começa o ano. Na alegria De nívea pomba quando nasce a aurora, Deixa, minh’alma, a tua fantasia Subir, cantando, pelo espaço a fora...
Deixa-a sumir-se além, rompendo gazas, Subindo em busca de ideais queridos: Há de trazer nas pequeninas asas Todo o perfume dos meus dias idos!
Há de trazer o sonho transparente Da inocência feliz (quanto eu sonhava!) E o eco virginal da voz dolente Que o meu sono de arcanjo acalentava.
E o meu sorriso e as minhas esperanças, Essas ingênuas ilusões de um dia, Toda essa luz que as almas das crianças Num raio de luar acaricia...
Que tudo venha sobre mim cantando O salmo doce da recordação. Qual se pousesse um luminoso bando De passarinhos no meu coração...