Portuguese poem
Ao cahir da noite
by Auta de Souza (1876–1901)
Minhas saudades todas Se vão mudando em astros... A magua vae de rastros Morrer na escuridão... As amarguras doudas Fogem como um lamento Longe do Pensamento, Longe do Coração.
E a Noite desce, desce Como um sorriso doce, Que em sonhos desfolhou-se Na voz cheia de amor, Da mãe que ensina a Prece Ao filho pequenino, De olhar meigo e divino E labio aberto em flor.
Ah! como a Noite encanta! Parece um Sanctuario, Com o lindo alampadario De estrellas que ella tem! Recorda-me a luz santa, Immaculada e pura, Da grande noite escura Do olhar de minha Mãe!
O’ Noite embalsamada De castas ambrosias .. No mar das harmonias Meu ser deixa boiar. Afasta, ó Noite amada, A duvida e o receio, Embala-me na seio E deixa-me sonhar!