Portuguese poem
Ao clarão da lua
by Auta de Souza (1876–1901)
A LUA
Ah! quem me dera ser uma estrella!
A NUVEM
O lirio branco, cheio de orvalho, Invoca a lua no seu martyrio E doce e triste treme no galho...
A ESTRELLA
Ah ! quem me dera ser como o lirio!
O CÉO
Perfume doce boia nos ares... Virá nas azas de um vagalume? Será da terra? Será dos mares?
O ORVALHO
Ah! quem me dera ser o perfume!
O POETA
Terno instrumento suspira ao longe N’uma cadencia melodiosa... Será na cella piedoso monge?
UMA CREANÇA (sonhando)
Ah! quem me dera ser uma rosa!
A NOITE
O sonho vive dentro em meu seio, Garrulo e meigo, doce e risonho, Cheio de luzes, de aurora cheio...
O PERFUME
Ah! quem me dera ser como o Sonho!
A MADRUGADA (ao longe)
Ouvem? As aves ja vêm cantando, As estrellinhas tomam seu véo... E’ tempo de irmos tambem chegando...
O CORAÇÃO
Ah! quem me dera subir ao Céo!