Portuguese poem
Saudade
by Bernardo Guimarães (1825–1884)
Vem, ó saudade, toma-me em teu carro, Em teu regaço leva-me dormindo, Entre fagueiros sonhos embalado Por esse espaço infindo. Leva-me além daquele erguido monte, Que lá campeia quase que sumido Nas brumas do horizonte.
Leva-me além; - oh! muito além ainda; Do eterno plaino largo campo fende; E entre escalvadas serranias broncas O carro teu suspende. Aí nas abas de sombrio morro Abate o vôo, e deixa-me nos braços Daquela por quem morro.
Rio de Janeiro, 1858.