Versos Portuguese Fagundes Varela A’ Lucilia

Portuguese poem

A’ Lucilia

by (1841–1875)

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Si eu pudesse ao luar, Lucilia bella, Queimar-te a fronte de insensatos beijos, Dobrar-te ao collo, minha flôr singela, Ao fogo insano de eternaes desejos;

Ai! si eu pudesse de minh’alma aos elos Prender tu’alma enfebrecida e cálida, Erguer na vida os festivaes castellos Que tantas noites planejaste, pallida;

Ai! si eu pudesse nos teus olhos turvos Beber a vida da volupia ao véo, Bem como os juncos sobre as ondas curvos A chuva bebem que derrama o céo,

Talvez que as magoas que meu peito ralam Em cinzas frias se perdessem logo, Como as violas que ao verão trescalam Somem-se aos raios de celeste fogo!

Oh! vem, Lucilia! é tão formosa a aurora Quando uma fada lhe baptiza o alvor, E a madre-silva, que ao frescor vapora Os ares peja de lascivo amor...

Sou moço ainda; de meu seio aos ermos Posso te louco arrebatar commigo... De um mundo novo na soidão sem termos Deitar-te á sombra de amoroso abrigo!

Tenho um diluvio de illusões na fronte, Um mundo inteiro de esperanças n’alma, Ergue-te ácima de azulado monte, Terás dos genios do infinito a palma!...