Versos Portuguese Fagundes Varela Illusão

Portuguese poem

Illusão

by (1841–1875)

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Sinistro como um funebre segredo Passa o vento do Norte murmurando Nos densos pinheiraes; A noite é fria e triste; solitario Atravesso a cavallo a selva escura Entre sombras fataes.

Á medida que avanço, os pensamentos Borbulham-me no cerebro, ferventes, Como as ondas do mar, E me arrastam comsigo, allucinado, Á casa da formosa creatura De meu doudo scismar.

Latem os cães; as portas se franqueiam Rangendo sobre os quicios; os criados Acordam pressurosos; Subo ligeiro a longa escadaria, Fazendo retinir minhas esporas Sobre os degraus lustrosos.

No seu vasto salão illuminado, Suavemente repousando o seio Entre sêdas e flôres, Toda de branco, engrinaldada a fronte, Ela me espera, a linda soberana De meus santos amores.

Corro a seus braços tremulo, incendido De febre e de paixão... A noite é negra, Ruge o vento no matto; Os pinheiros se inclinam, murmurando: — Onde vai este pobre cavalleiro Com seu sonho insensato?...