Portuguese poem
Juvenília VII
by Fagundes Varela (1841–1875)
Ah! quando face a face te contemplo, E me queimo na luz de teu olhar, E no mar de tua alma afogo a minha, E escuto-te falar;
Quando bebo no teu hálito mais puro Que o bafejo inefável das esferas, E miro os róseos lábios que aviventam Imortais primaveras,
Tenho medo de ti!... Sim, tenho medo Porque pressinto as garras da loucura, E me arrefeço aos gelos do ateísmo, Soberba criatura!
Oh! eu te adoro como a noite Por alto mar, sem luz, sem claridade, Entre as refegas do tufão bravio Vingando a imensidade!
Como adoro as florestas primitivas, Que aos céus levantam perenais folhagens, Onde se embalam nos coqueiros presas
Como adoro os desertos e as tormentas, O mistério do abismo e a paz dos ermos, E a poeira de mundos que prateia A abóbada sem termos! ...
Como tudo o que é vasto, eterno e belo; Tudo o que traz de Deus o nome escrito! Como a vida sem fim que além me espera No seio do infinito.