Portuguese poem
A um artista
by Francisca Júlia (1871–1920)
Mergulha o teu olhar de fino colorista No azul; medita um pouco, e escreve; um nada quasi: Um trecho só de prosa, uma estrophe, uma phrase Que patenteie a mão de um requintado artista.
Escreve! Molha a penna, o leve estylo enrista! Pinta um canto de céo, uma nuvem de gaze Solta, brilhante ao sol; e que a alma se te vase Na copia dessa luz que nos deslumbra a vista.
Escreve!... Um céo ostenta o matiz da celagem Onde erra o sol, moroso, entre vapores brancos, Irisando, ao de leve, o verde da paizagem...
Uma ave banha ao sol o esplendido plumacho... Num recanto de bosque, a lamber os barrancos, Espumeja em cachões uma cachoeira em baixo...