Portuguese poem
A Noite
by Francisca Júlia (1871–1920)
Um vento fresco e suave entre os pinhaes murmura. A Noite, aos hombros solta a desgrenhada coma, No seu plaustro de crepe, entre as nuvens assoma... Tornam-se o campo e o céo de uma côr mais escura.
Um novo aspecto em tudo. Um novo e bom aroma De láthyros exhala a amplissima verdura. Num hausto longo, a Noite, aos ares a frescura Doce, entre-abrindo a flôr dos negros labios, toma...
Por valles e rechans caminha, passo a passo, Attento o ouvido, á escuta... E no seu plaustro enorme, Cujo rumor desperta a placidez do espaço,
Á encantada região das estrellas se eleva... E, ao ver que dorme o espaço e o mundo inteiro dorme, Volve, quieta, de novo, á habitação da treva...