Portuguese poem
A caçada
by Francisca Júlia (1871–1920)
Ao mirante gentil de construcção bizarra Acabou de subir naquelle mesmo instante Em que o seu noivo foi á caça; e, palpitante, Lá fóra cuida ouvir os sons de uma fanfarra.
E, ao mesmo tempo ouvindo o selvagem descante Que, entre as folhas, sibila a estridula cigarra, Ella vae ler a carta onde o seu noivo narra A dor que ha de soffrer quando estiver distante...
E dorme, vendo o sol que, atravez de uma escassa Nuvem branca, illumina as ingremes encostas Dos montes onde ondeja a matilha da caça;
E, bem perto, ao rumor de trompas e ladridos, O seu noivo gentil que, de espingarda ás costas, Lhe offerta uma porção de passaros feridos...