Portuguese poem
Rimas
by Francisco Álvares de Nóbrega (1773–1806)
Preso à rija cadeia, onde inocente Suporto da calúnia o férreo açoite, Sem achar outro arrimo, a que me acoite, Bradava pela morte em pranto ardente. (…)
Quem me diz que entre os ferros da violência, A cujo peso o meu valor quebranto, Pode a dor sufocar, conter o pranto, O que conserva ilesa a consciência;
Ou dos trabalhos tem pouca experiência, Ou finge esforço inexpugnável, santo; O delinquente em ferros geme tanto, Como o herói da cândida inocência. (…)
Como está este dia tão soturno! Pavoroso negrume o ar enlucta, Naquele galho a regougar se escuta, Crendo que é noite, o carpidor nocturno.(…)
O encrespado mar, de negro tinto, Ostenta em sua túmida voragem Querer o Orbe aniquilar faminto.
Sucedeu Bóreas torvo à branda aragem; Da viva inquietação, que n´alma sinto Ó dia de pavor, tu és a imagem!
Excertos de vários poemas descrevendo o ambiente do cárcere.