Portuguese poem
Palinuro Sagrado, oh, como absorto
by Francisco Álvares de Nóbrega (1773–1806)
Palinuro Sagrado, oh, como absorto Ao ver-vos fica o meu batel por certo! Meu náufrago batel, que sábio e esperto Vindes guiar da salvação ao porto.
De mim se apossa um divinal conforto Á proporção que vos chegais mais perto; Vós dourais da existência o fio incerto, Vós arrancais da fria campa um morto.
Imagem do meu Deus, ministro augusto, Tanto ímpio quebranta a vossa vinda, Quanto conforta e fortalece o justo.
Minha interna aflição convosco finda, Já o transe final me não dá susto; Graças, graças aos céus! Não morro ainda.
Poema dedicado ao seu Confessor da Inquisição, aquando do seu encarceramento em 1803, na Cadeia do Limoeiro.