Versos Portuguese Francisco Palha _Dies Irae_

Portuguese poem

_Dies Irae_

by (1827–1890)

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É novembro, e faz um frio! Eu então é que ando em braza! Pudera! se o senhorio me pede a renda da casa!

Réles cobre em vão recruto no lidar da vida insano. Desertam n'um só minuto as vis poupanças d'um anno.

Embora á carne dê tratos, á velha carne exigente, deixando passar os pratos sem pôr nos piteus o dente;

Embora esguia quinzena traga já no extremo fio, e córte a rara melena só pelas calmas, no estio:

Não coalha esta formiga nem grão, nem sequer paveia! Sempre na mesma fadiga, enche... vasa... o pé da meia!

Sob o teimoso aguaceiro de tanta renda de casas, depennado, em meu poleiro, metto a cabeça nas azas.

Cança o sorrir da ventura; o rigor da sorte cança; só por entre o que não dura vae sempre durando a esp'rança.

Eu espero a moradia, onde de graça me acoite, no seio da terra fria; nas sombras da infinda noite!

Ao menos no eterno gelo, nos fundos antros escuros, não terei por pesadêlo meus senhorios futuros!

Um é Deus: a esse um amigo satisfaça em padre-nossos. Outro é o verme: eu cá o espigo dando-lhe em paga os meus ossos.