Portuguese poem
Olhos De Judia
No transparente olhar das virgens da Allemanha Nada um fluido subtil tam pleno de scismar, Que a gente cuida ouvir uma sonata extranha Num castello do Rheno em noites de luar.
Flôr do Guadalquivir, gloria da ardente Hespanha, Se dardejas, sorrindo, um teu lascivo olhar, O crespo, o encapellado e procelloso mar Dos desejos febris o coração nos banha.
Nos teus olhos porém venusta semi-deia, Como nas mutações de um rapido scenario, Desdobram-se ante mim paizagens da Judeia...
Vejo o louro Jesus vagueando solitario, Vejo-o no Horto a chorar, ouço-lhe a voz na Ceia E escuto-lhe o gemido extremo no Calvario.