Portuguese poem
Transfiguração
Ao Dr. José Falcão
III
Elle chamava a si, com falas de esperanças, O simples, o afflicto e as timidas creanças.
IV
E fallava do céo, das cousas transparentes E de um culto ideal, ás almas innocentes.
V
Aos humildes dizia, erguendo o olhar profundo: «O reino do Senhor não é o d’este mundo.»
VI
Ouviu-se então no povo, em extasi embebido, Um grito suffocado, um chôro dolorido.
VII
Jesus baixara a vista affavel e serena : «Feliz, disse, o que chóra, oh doce Magdalena!»
VIII
E ella, que em vida solta, alegre e descuidosa, Passara os dias seus, triste mulher formosa! Sentindo aquelle olhar, que entre ella e o céo fluctua, Nas trancas occultou a espadua semi-nua...