Portuguese poem
Vi
Sei-o; a tua vida é sem ventura, É-nos commum esta funérea sorte. Cáe sobre nós a mesma noite escura, E isto não finda sem que chegue a morte.
Se vejo nesse olhar um rir travêsso, E em teu labio a insolencia costumada, E o orgulho inflar teu coração... padeço, E murmuro: «és como eu, tam desgraçada!»
Bem sei que ris, mas o teu labio treme: Nos teus olhos azues o pranto brilha: Tens orgulho, e essa voz suspira e geme... Como nós somos desgraçados, filha!