Portuguese poem
Vii
Se as flôres do balsedo Podessem ver meu peito alanceado, Como allivio ao meu aspero degredo, Mandar-me-hiam, das moitas do balsedo, De seus prantos o balsamo sagrado.
Se os rouxinoes da floresta Soubessem quanta dôr me rasga o seio, Para espancar a minha noite mésta, Mandar-me-hiam, das sombras da floresta, O seu mais terno e encantadôr gorgeio.
Se as estrellas do espaço Soubessem tudo quanto soffro em vida, Para embalar d'esta alma o vil cançaço, Mandar-me-hiam, dos concavos do espaço, Uma doce palavra condoída.
E essa que sabe tudo, O inferno e o horror da minha mocidade, É a dona das tranças de veludo, E das unhas rosadas... sabe tudo E apunhála-me a vida sem piedade!