Portuguese poem
A Rainha celestial
by Gregório de Matos (1636–1696)
A Rainha celestial, venceu o seu contrário, nosso pobre cabedal hoje do Santo Rosário lhe faz um arco triunfal.
O arco é de paz, e guerra, com que sempre há de triunfar, e tal virtude em si encerra, que por ele hei de chegar ao alto céu desde a terra.
Este é o arco dos céus, que sobre as nuvens se vê, dado para nós por Deus, por cujo meio com fé teremos grandes troféus.
Porque o rosário rezado quando a alma em graça está, é sinal, que Deus tem dado, de que não me afogará no dilúvio do pecado.
Este é o arco triunfal, por onde a alma gloriosa livre do corpo mortal vai aos céus a ser esposa do Príncipe celestial.
Tem o homem seu contrário dentro em sua mesma terra, que lhe vence de Ordinário, e a Virgem por esta guerra dá-lhes as contas do Rosário.
Esta é boa artilharia para o justo, e pecador, tirai a alma em pontaria co fogo do vosso amor, e co'as balas de Maria.
Toda alma, que fizer conta de si, e sua salvação, ouça, o que a Virgem lhe aponta: suba, que em sua oração será degrau cada conta.