Portuguese poem
Em essa de cristal campanha errante
by Gregório de Matos (1636–1696)
Em essa de cristal campanha errante Da morte um peito ilustre foi vencido, Mágoa, que o mar chorava fementido Com lágrimas de neve, ou de diamante.
Neste teatro horrível, e inconstante Aos rigores do tempo pôs rendido A sua pompa o Prado mais florido, Fim a seu curso o sol mais rutilante.
Como Prado em tormentas inundado, Como sol, que apressado a esfera corre, Teve o seu fim nas águas destinado.
Por que se bem se adverte, ou se discorre, Se o mar inunda, se sepulta o prado, E se fenece o sol, nas ondas morre.