Portuguese poem
É este memorial de um afligido
by Gregório de Matos (1636–1696)
É este memorial de um afligido, Se vos der mais enfado, do que deve, Entendei do papel em que o escrevo, Que dos trapos se fez do meu vestido.
Estou, há vinte meses, retraído Por crime, que a dizer me não atrevo, Acutilei por ser já velho, e gevo Um vestido, que tinha de comprido.
Com isto está meu Pai muito enfadado, E sobre ver-me roto me descose, Porque comigo está desesperado.
Eu como um descosido, eu como as doze, E como estou sem voz des abrochado, Vos peço o Alfaiate, que vos cose.