Portuguese poem
Quer-me mal esta cidade
by Gregório de Matos (1636–1696)
Quer-me mal esta cidade...................................pela verdade, Não há, quem me fale, ou veja..........................de inveja, E se alguém me mostra amor............................é temor.
De maneira, meu Senhor, que me hão de levar a palma meus três inimigos d'alma Verdade, Inveja, e Temor.
Oh quem soubera as mentiras.............................do Milimbiras, Fora aqui senhor do bolo.................................. como tolo, E feito tolo, e velhaco........................................fora um caco.
Meteria assim no saco Servindo, andando e correndo as ligas, que vão fazendo Milimbiras, Tolo, e Caco.
Tirara cinzas tiranas............................................das bananas, Outro se os meus dez réis...................................de pastéis, E porque isento não fosse...................................até do doce.
Teria assim, com que almoce o meu amancebamento, pois lhe basta por sustento Bananas, Pastéis, e Doce.
Prendas, que a empenhar obrigo..........................pelo amigo, Dobrar-lhe eu o valor..........................................e primor, Cobrando em dous bodegões...............................os tostões.
E seus donos asneirões ao desfazer da moeda perdem da mesma assentada Amigo, Primor, Tostões.
Ao jimbo, que se lhe conta........................................boa conta, E já por amigo vejo...................................................sem ter pejo, Pois lhe tira de corrida..............................................a medida.
Mas verdadeira, ou mentida a conta ajustada vem, sendo um homen, que não tem, Conta, Pejo, nem Medida.
Dever-me-ão camaradas..........................................mil passadas, E o triste do companheiro.......................................o dinheiro, E à conta das minhas brasas.....................................as casas.
Assim lhe empatara as vazas, pois o mesmo, que eu devia, por força me deveria Passadas, Dinheiro, e Casas.