Portuguese poem
Quem sai a mijar de Beja
by Gregório de Matos (1636–1696)
Senhora velha roupeira pois todo Alentejo andou não me dirá, quanto achou, que vai de Beja a Ferreira: porque outra velha embusteira, com profia, e com inveja, não quer que uma légua seja, e por palmos de cará diz, que só um palmo achará quem sai a mijar de Beja.
Isto a velha quer, que seja, e do seu querer colijo, que vai a beber do mijo, quem sai a mijar de Beja: porém quem saber deseja a conclusão verdadeira, deste caminho, ou carreira, pelos passos do pismão quer saber, que passos vão por fora da Vidigueira.
Porque parvoíce fora não ver entre boca, e centro, que uma cousa é mijar dentro outra cousa andar por fora: e assim vós, minha Senhora velha, que nesta carreira já sois useira, e vezeira desmenti da velha a inveja, pois diz, que quem sai de Beja, dá co piçalho em Ferreira.