Portuguese poem
Quem há de alimentar de luz ao dia
by Gregório de Matos (1636–1696)
Quem há de alimentar de luz ao dia? Quem de esplendor ilustrará a Nobreza? Quem há de dar lições de gentileza A toda a gentileza da Bahia?
Já feneceu do mundo a galhardia, Melancólica jaz a natureza, Vendo em pó reduzida a fortaleza, E em cinzas desatada a fidalguia.
O Marte (digo), que ao combate expunha O peito sem temor, que ao mundo assombra, Sendo da paz terror, da guerra espanto.
Foi este o Senhor Matias da Cunha, Que hoje nos dá tornado em fria sombra Ao discurso pesar, aos olhos pranto.