Portuguese poem
Se há de ver-vos, quem há de retratar-vos
by Gregório de Matos (1636–1696)
Se há de ver-vos, quem há de retratar-vos, E é forçoso cegar, quem chega a ver-vos, Se agravar meus olhos, e ofender-vos, Não há de ser possível copiar-vos.
Com neve, e rosas quis assemelhar-vos, Mas fora honrar as flores, e abater-vos: Dois zéfiros por olhos quis fazer-vos, Mas quando sonham eles de imitar-vos?
Vendo, que a impossíveis me aparelho, Desconfiei da minha tinta imprópria, E a obra encomendei a vosso espelho.
Porque nele com Luz, e cor mais própria Sereis (se não me engana o meu conselho) Pintor, Pintura, Original, e Cópia.