Portuguese poem
A lastima
by Inácio José de Alvarenga Peixoto (1742–1792)
Eu não lastimo o proximo perigo, Nem a escura prisão estreita e forte; Lastimo os caros filhos e a consorte, A perda irreparavel de um amigo.
A prisão não lastimo, outra vez digo, Nem o ver imminente o duro córte; É ventura tambem achar a morte Quando a vida só serve de castigo.
Ah! quão depressa então acabar vira Este sonho, este enredo, esta chimera, Que passa por verdade e é mentira.
Se filhos e consorte não tivera, E do amigo as virtudes possuíra, Só de vida um momento não quizera.