Versos Portuguese José da Silva Maia Ferreira De leite o mar — lá desponta

Portuguese poem

De leite o mar — lá desponta

by (1827–1881)

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De leite o mar — lá desponta Entre as vagas sussurrando A terra em que scismando Vejo ao longe branquejar ! É baça e proeminente, Tem d’Africa o sol ardente, Que sobre a areia fervente Vem-me a mente acalentar.

Debaixo do fogo intenso, Onde só brilha formosa, Sinto n’alma fervorosa O desejo de a abraçar: É minha terra querida, Toda d’alma , — toda — vida, — Qu’entre gozos foi fruida Sem temores, nem pesar.

Bem vinda sejas ó terra, Minha terra primorosa, Despe as galas — que vaidosa Ante mim queres mostrar: Mesmo simples tens fulgores, Os teus montes tem primores, Que ás vezes fallam de amores A quem os sabe adorar!

Navega pois, meu madeiro Nestas aguas d’esmeraldas, Vae junto do monte ás faldas Nessas praias a brilhar! Vae mirar a natureza, Da minha terra a belleza , Que é singella, e sem fereza Nesses plainos d’alem-mar!

De leite o mar, — eis desponta Lá na extrema do horizonte, Entre as vagas — alto monte Da minha terra natal; É pobre, — mas tão formosa Em alcantis primorosa, Quando brilha radiosa, No mundo não tem igual!