Portuguese poem
Benguelinha!
by José da Silva Maia Ferreira (1827–1881)
Passarinho primoroso, E gentil, plumeo cantor, Que d’aromas tão fragrantes Não esparzes com candor, Quando trinas mavioso Neste insolito rigor De um sol forte e constante Suaves cantos d’amor?!
Ás vezes contemplo Do dia no albor, Sentir o rigor De escravo viver;
Suspiras e gemes Em cantos d’amor, Ah! sê meu primor Não queiras morrer!
Anhélas no mato Andar pelas fragas, Viver só de bagas, Nos ramos dormir?
Esvoaça saltando Na tua prisão
Ai! tem compaixão Não vive a carpir!
Infiltra bondoso No meu coração O doce condão — Do meigo trinar;
Que juro comtigo No mundo viver Comtigo morrer, Comtigo findar!
E as azas abrindo O plumeo cantor, As juras d’amor, Ouvio a sorrir —
Em magos acentos Endeixas drinou, Que d’alma exhalou, Que d’alma sentio! —