Portuguese poem
Carlinda
by José da Silva Maia Ferreira (1827–1881)
É fado tyranno, Carlinda mimosa,
O que soffre o meu peito Por ti que és formosa E que és meu amôr Carlinda attende Teu triste cantor!
Se extremos concedo Á tua beldade Vem mão oppressora, Que sem piedade Nos enche de dôr; Carlinda attende Teu triste cantor!
Se o meu ao teu fado Intento ligar, Sorte impiedosa Nos quer separar Com duro rigor; Carlinda attende Teu triste cantor!
Porém nem o fado, Nem mão oppressora, Nos póde roubar Um bem, qu’é penhora De Deus — Creador. Carlinda attende Teu triste cantor!
Sejamos unidos Na patria de Deus! Recebe os meus votos, Meus votos só teus, Nascidos de amor, Que terno te envia Teu triste cantor!