Portuguese poem
A Augusta
Em teu caminho tropeçaste — agora! Cala esse pranto, minha pobre flor. Caída mesmo — tropeçando embora, Conserva a alma um último pudor.
Deve ser grande esse martírio lento... Já nos espinhos a minha alma pus; Sou como um Cireneu do sofrimento; Deixa-me ao menos carregar-te a cruz.
Eu sei medir as lágrimas vertidas Na sombra e só sem uma mão sequer! Vês tu as minhas pálpebras doridas? Têm chorado talvez por ti, mulher!
É fraqueza chorar? chorei contigo; Que a mesma nos banhou de luz Como em mim um pesar profundo e antigo No falar dessa fronte se traduz!
Sei como custa desfolhar um riso Em face às turbas, que o senti por mim, Ver o inferno e falar do paraíso, Sentir os golpes e abraçar Caim!
Chorei, que prantos! Prometeu atado Ao rochedo da vida e sem porvir! Poeta neste século infamado Que mata as almas e condena a rir.
Cansei, perdi aquela fé robusta Que como a ti, nos sonhos me sorriu; Na identidade do calvário, Augusta, Bem vês como o destino nos mentiu!
Ergue-te pois! A redenção agora Dá-te mais viço, minha pobre flor! Se tropeçaste no caminho embora! Na tua queda é-te bordão — o amor!