Portuguese poem
A Caridade
Ella tinha no rosto uma expressão tão calma Como o somno innocente e primeiro de uma alma Donde não se afastou ainda o olhar de Deus; Uma serena graça, uma graça dos céus, 5Era-lhe o casto, o brando, o delicado andar, E nas azas da brisa iam-lhe a ondear Sobre o gracioso collo as delicadas tranças.
Levava pela mão duas gentis creanças.
Ia caminho. A um lado ouve magoado pranto.
10Parou. E na anciedade ainda o mesmo encanto
Descia-lhe ás feições. Procurou. Na calçada Á chuva, ao ar, ao sol, despida, abandonada A infancia lacrimosa, a infancia desvalida, Pedia leito e pão, amparo, amor, guarida.
15E tu, ó Caridade, ó virgem do Senhor, No amoroso seio as creanças tomaste, E entre beijos — só teus — o pranto lhes seccaste Dando-lhes pão, guarida, amparo, leito e amor.