Portuguese poem
Ii
Um povo indocil Nessas brenhas achou ditosa patria, Livre, como o rebelde pensamento Que ímpia força não doma, e airoso volve Inteiro á eternidade. Guerra longa E porfiosa os adestrou nas armas; Rudes são nos costumes mais que quantos Ha criado este sol, quantos na guerra O tacape meneiam vigoroso. Só nas festas de plumas se ataviam Ou na pelle do tigre o corpo envolvem, Que o sol queimou, que a rispidez do inverno Endureceu como os robustos troncos Que só verga o tufão. Tecer não usam A preguiçosa rede em que se embale O corpo fatigado do guerreiro, Nem as tabas erguer como outros povos; Mas á sombra das arvores antigas, Ou nas medonhas cavas dos rochedos, No duro chão, sobre mofinas ervas, Acham somno de paz, jamais tolhido De ambições, de remorsos. Indomavel Essa terra não é; prompto lhes volve O semeado pão; vecejam flôres Com que a rudez tempera a extensa matta, E o fructo pende dos curvados ramos Do arvoredo. Harta messe do homem rude, Que tem na ponta da farpada setta O pesado tapir, que lhes não foge, Nhandu, que á flôr de terra inquieto voa, Sobejo pasto, e deleitoso e puro Da selvagem nação. Nunca vaidade De seu nome souberam, mas a força, Mas a destreza do provado braço Os foros são do imperio a que hão sugeito Todo aquelle sertão. Murmuram longe, Contra elles, as gentes debelladas Vingança e odio. Os ecos repetiram Muita vez a pocema de combate; Nuvens e nuvens de afiadas settas Todo o ar cobriram; mas o extremo grito Da victoria final só delles fôra.