Versos Portuguese Manuel Maria Barbosa du Bocage +Soneto Vi.+

Portuguese poem

+Soneto Vi.+

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Dura Filosofia audaz forceja Por dar-me essencia nova ao pensamento; De bronze diz que forre o soffrimento, E em brazas, como em flores, manso esteja:

Diz, que, ó Leis de Zenôn, por vós me reja; Que sabe do alto Systema alto Portento: «Os orgãos vivem, morre o sentimento, «E mudo, e frio, o coração caleja.»

Mas ah! Mais sabio que Zenôn o Eterno, Fonte ás lágrimds deo, deo fonte ao riso: Co'a Lei das sensações meu ser govérno.

Se eu folgasse entre o mal que em mim diviso, Na mente ousára unir o horror do Inférno Aos Sóes, de que se esmalta o Paraiso.

Discipulo de Crates, e Fundador do Estoicismso, ou Seita dos Estóicos. Quando o Homem crê visinhar com o seu Nada, (o Nada Universal) as sombras, em que o envolvem, o abafão as suas paixões, se rarefazem, e esvaecem aos lumes da Justiça, e do Desengano: ou já lhe bróte sobrenaturalmente n'alma este fenómeno, ou já porque, evaporado o amor proprio, attente mais nos outros que em si. Eu, talvez nesse estado, ou não longe delle, confesso ingenuamente, que, pela suavidade, e apuro do métro (nas composições lavradas com mais desvélo, e mais gosto) pelas flores, pelos esmaltes Poéticos de que as ameniza, e formosêa, (em especial as Báchicas) Belmiro está mui sobranceiro aos Engenhos vulgares. A Razão me pede, que lhe honre o mêrito; e o Coração, que lhe releve a, talvez, injustiça, com que trabalhou remover-me de hum gráo, havido da Voz pública.