Portuguese poem
Desafogo
by Maria Adelaide Fernandes Prata (1826–1881)
O' fruir quizera um dia Quanto é doce ser ditosa! Quizera com alegria Minha estrella tormentosa Vêr mudar antes da morte, Vêl-a seguir outro norte De ventura e melhor sorte, N'uma esphera bonançosa!
N'alta montanha quizera Ao ar livre um ai soltar, Percorrer ó quem me déra Densos bbosques a scismar. Livre, livre como o vento, Livre como o pensamento Quizéra ser um momento, Um dia antes d'acabar!...
Quizera vêr a impressão Que causa a felicidade Ao infeliz coração Que soffre, sem liberdade, Oppresso pelos tormentos!.. Que só tem livre lamentos, Só livre queixar-se aos ventos, Só esperança na eternidade!..