Portuguese poem
A Religião
by Maria Adelaide Fernandes Prata (1826–1881)
Oh! vem filha do céu, em nossas almas Espargir dôce paz, as sanctas crenças,
Dá-nos valôr bastante pra trilhar Esta senda escabrosa, humedecida Pelas pungentes lagrimas que géra O soffrimento e dôr que o mundo offrece!... Só tu podes na terra de martyrio, Uma esp'rança inspirar ao desditoso! Ai, sem ti arrastar quem poderia Os tormentos que a vida tanto opprimem Que o coração esmagam fibra a fibra!... Quando desesperados esquecemos Teu auxilio divino, então que horror! Que inferno dentro alma nós sentimos!... Sem um raio d'esp'rança cá na terra, Deslembrados d'um édem de delicias E dos lados blasphemeas só sahindo!... Então volves piedósa a soccorrer-nos E já rompendo a nuvem que occultava Essa luz rutilante que da gloria Esparge a mão do Eterno ao que tem fé, Magestosa appareces d'alvas roupas E tão pura, tão sancta nos apontas Serena para o ceu, erguendo a cruz!... «Alli, eis teu regresso, tu nos dizes, «Deixae os vãs cuidados que nos valem «Um momento de gloria junto a Deus!... E o calix nos mostras d'amargura, Abraçada na cruz, olhando o ceu!...