Portuguese poem
A mãe que abandona o filho recem nascido
by Maria Adelaide Fernandes Prata (1826–1881)
Podeste ó mãe cruel abandonar O filhinho que à pouco era em teu seio, Banil-o de teus braços, n'uma estrada, A'mercé dos que passam ir arrojal-o?! Não tremeste insensivel! Na tu'alma. Não te acusou a voz da natureza?! Lá dentro não sentiste o amor subido, Esse amor privativo só de mae? Não te pulsou mais forte o coração? Não te estalou de dôr o peito insano E deslisar dos olhos não sentiste O pranto, quando o filho comtemplaste? Olha as féras terriveis como animam Os filhinhos que ao peito seu conchegam! E tu sendo mulher, tornaste um mons!ro Peor que o tigre féro, ou que o leão! Da natureza horror! Desdouro eterno. Da raça que o senhor formou humana! P'ra teu erro encobrir, expões sem dó O pobre innocentinho a incerta sorte!.. Queres que mãe adoptiva vá prestar-lhe Os carinhos que a sua lhe negou?! Ah! Corre, arrependida, vae tomal-o Nos braços e depois ufana, ao mundo Apresenta-o sem pejo que esse nome De filho t'endemnisa da vergonha Que sentes por não ter um pae que dar-lhe.