Versos Portuguese Vicente de Carvalho Arte de amar

Portuguese poem

Arte de amar

by (1866–1924)

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Se a tua amante é bela E tem ciúme, finge que o não tens; Não o perceba ela; Ou caro pagarás Com alma, corpo, e bens, Cada uma dessas coisas pueris Que um ciumento a cada passo faz Ou diz.

Pois tua amante, fria como a neve, É bela E finge que te quer bem, Que mais reclamas? Ela Com ser linda e fingir - dá quanto deve E tem.

E quanto mais tiveres Boas razões, menos dirás que as tens: Afinal, às mulheres, Caro se paga em alma, em corpo, em bens, A culpa de sem perdão De ter, ter contra elas, Razão.

Queixas de amor que tiveres Não as dês a entender. nunca, a ninguém! Mais valerá, calá-las, e sorrir: Ouvidos de mulheres Só ouvem bem o que lhes soa bem E lhes convém Ouvir

Pois tua linda amante Finge que te ama- dá-te parabéns. Declara-te feliz, e sê galante: O seu amor que tu nâo tens Que falta faz? Melhor do que possuir o amor sempre exigente De uma mulher que além de ser amada é bela Mais vale à gente Viver com ela Em paz.

Engana-te ela e finge que és amado? Engana-a tu também Fingindo-te enganado: Vivendo assim perfeitamente bem

Os dois,

Poupar-te-ás a quanto, injusta ou justa, Uma cena de ciúme sempre custa Depois...