Versos Portuguese Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett A Adelia

Portuguese poem

A Adelia

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Tu queres, amiga, que eu deixe Minha harpa no chopo do monte, Que nem sempre me chore e queixe, Que seja poeta... a cantar! Que da brava inculta deveza Me não fique pasmado á fonte A admirar só a natureza, Sem um brado de glória alçar! Na escarpada selvatica brenha Não se colhem senão rudes flores, Bem o sei—crescem-lhe hirtas na grenha, São singellas De fôlha e de côres, Não se toucam as bellas Com ellas: Não se infeitem jardins de formosas Com musquetas bravias e rosas!

—‘Vê o nobre, magnifico traço Do regrado edificio de Homero, Do mavioso Virgilio, do Tasso! (Dizes tu, maga musa d’amor) ‘E ora terno e mavioso, ora fero, Ja sublime, ja doce—o cantor De Ignez bella, feio Adamastor. Como erguendo, campea, a alta frente Sôbre todos os vates do Pindo!’ —Vejo, oh! vejo, que ésta alma ardente Ja nos voos andou seguindo Essas aguias mais remontadas... Hoje é abelha, ahi anda zumbindo Por entre agras, singellas flores Desalinhadas:

Mas são flores que nascem na serra Onde todo o seu mundo se incerra, Porque ahi tem—o seu bem—seus amores.

Bemfica, 12 de maio de 1840.