Versos Portuguese Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett Adeus, Mãe!

Portuguese poem

Adeus, Mãe!

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--‘Adeus, mãe! adeus, querida, Que eu ja não posso co’a vida, E os anjos chamam por mim. Adeus, mãe, adeus!... Assim, Juncta os teus labios aos meus, E recebe o último adeus

N’este suspiro... Não chores, Não chores: aquellas dores Ja sinto accalmar em mim. Adeus, mãe, adeus!... Assim, Juncta os teus labios aos meus... Um bejo--um último... Adeus!’

E o corpo desanimado No collo da mãe cahia; E ella o corpo... só pesado, Só mais pesado o sentia! Não se lamenta, não chora, E quasi a surrir, dizia: --‘Que tem este filho agora, Que tanto pésa? Não posso...’ E uma a uma, osso por osso, Com a mão trémula tenta As mãosinhas descarnadas, As faces cavas, myrradas, A testa inda morna e lenta. --‘Que febre, que febre!’ diz; E em tudo pensa a infeliz, Tudo que ha mau lhe occorreu, Tudo--menos que morreu. Como nos gelos do norte O somno traidor da morte Ingana o desfallecido Que imagina adormecer, Assim cançado, esvahido De tam longo padecer, Ja não ha no coração Da mãe fôrça de sentir; Não tem ja lume a razão Senão só para a illudir.

Acorda, ó mãe desgraçada, Que é tempo de despertar! Anda ver a eça armada, As luzes que ardem no altar. Ouves? É a rouca toada Dos padres a psalmear?... Vamos, que a hora é chegada, É tempo de o amortalhar.

E os anjos cantavam: ‘Alleluia!’ E os sanctos clamavam: ‘Hosanna!’

Ao triste cantar da terra Responde o cantar do ceu; Todos lhe bradam:--‘morreu!’ E a todos o ouvido cerra.

E os sinos a tocar, E os padres a rezar, E ella ainda a accalentar Nos braços o filho morto, Que ja não tem mais confôrto, Mais socêgo n’este mundo Que o jazigo humido e fundo Onde hade ir a sepultar.

Levae, ó anjos de Deus, Levae essa dor aos ceus. Com a alma do innocente Aos pés do Juiz Clemente Ahi fique a sancta dor Rogando á Eterna Bondade Que extenda a immensa piedade A quantos peccam d’amor.

XIV.