Versos Portuguese Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett Albaninha

Portuguese poem

Albaninha

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—‘Albaninha, Albaninha, A filha do conde Alvar! Oh! quem te vira Albaninha Tres horas a meu mandar!’ —‘Pouco tempo são tres horas, Mas vem depois o contar.’ —‘Usança de maus villões Nunca a eu soubera usar. Com ésta espada me cortem, Com outra de mais cortar, Donzella que em mim se fie Se eu d’isso me for gabar.’ Inda bem manhan não era Ja na praça a passeiar; Aos tres irmãos de Albaninha Se foi de braço travar: —‘Ésta noite, cavalleiros, Sabereis que fui caçar; Em minha vida não tive Noite de tanto folgar. Era uma lebre tam fina Que nunca vi tal saltar: Com tres horas de corrida Não a cheguei a cançar!’ Disseram uns para os outros: —‘Bom modo de se gabar! Será de nossas mulheres? Das irmans nos quer fallar?’ Responde agora o mais môço Discreto no seu pensar: —‘Não vêdes que é de Albaninha, Que o traidor quer diffamar?’

Foram-se os tres para um canto, Poseram-se a aconselhar; Diziam os dois mais velhos: —‘Vamo’-lo nós a mattar?’ E o mais moço respondia: —‘Vamo’-la nós a casar?’ —‘Sim! e o dote que ella tem, Nós o temos de pagar.’

Vão ao quarto de Albaninha, De voda a foram achar; Duas aias a vestiam, Duas a estão a toucar. —‘Albaninha, Albaninha, A filha do conde Alvar! As barbas de teu pae conde Que bem lh’as soubeste honrar!’ —‘As barbas de meu pae conde Trattae vós de as honrar, Pagando-me ja meu dote, Que agora me vou casar.’