Portuguese poem
A Renascença
by Xavier de Carvalho (1862–1919)
(a Ramalho Ortigão)
A Renascença que foi obra toda humana, Chamando á vida nova a forte raça aryana, Co'a polvora, a imprensa, a bussola e a alchimia, A Arte a renascer na lyra dos poetas, Copernico que traça a orbita aos planetas E Martinho Luthero affirmando a herezia;
Dante que tudo vê com seu olhar de lynce, A Ceia do Senhor de Leonardo Vinci E Masaccio que tem madonas ideaes, Colombo e Guttemberg e Magalhães e Gama, Bacon que ensina a vida e Erasmo que proclama O rubro alvorecer das sciencias naturaes;
Gallileu que nos prova a rotação da terra E contra quem a egreja ergueu terrivel guerra, Aristoteles que, intransigente e altivo Foi quem traçou as leis novas da evolução, Cravou golpe profundo, em cheio, á religião E em bases affirmou o Credo Positivo;
Magalhães que demonstra a terra como esphera, Giotto que nos pinta a tela mais sincera, O feudalismo á morte, as communas em lucta, A alma das nações erguendo-se fremente E pouco a pouco, a claro, as lendas do Oriente, Emquanto o santo officio as consciencias enluta;
Bruno que a egreja queima, affirmando a Verdade, Miguel Angelo que achou os tons da realidade No Juizo Final a luz das gerações: Todo esse renascer das Artes e Sciencias E o rebate febril de todas as consciencias, Resume-se afinal no livro de Camões.