Portuguese poem
Ilha Dos Amores
by Xavier de Carvalho (1862–1919)
(a Fialho de Almeida)
Ha nesses versos ruivos e frementes Todos feitos de sol e de impureza A fulva côr nervosa das serpentes E um vago sonho de gentil duqueza.
Em cada phrase de uma sereia ou deusa E em cada riso de tritões ardentes: Descubro ondas de carne omnipotentes E escuto o grito audaz da Natureza.
Camões! Ha nos teus versos enseivados, Beijos que ferem, seios inflammados E a mulher toda nua, exposta ao sol.
E ao lêr essas estrophes côr de lava, Sinto a minh'alma allucinada e brava, Entre um incendio enorme de arrebol.