Portuguese poem
Porque te amo
by Adélia Josefina de Castro Fonseca (1827–1920)
Eu te amo, porqu'és bella, E singela Como a estrella Do matinal, primo albor, Quando, a aurora apparecendo, Vai perdendo, Vai perdendo o seu fulgor.
Porqu'és como a fonte pura, Que murmura Com doçura
Por seixinhos discorrendo; Como entre-aberto jasmim 'N um jardim Grato aroma rescendendo.
Porque tens nos olhos divos, Expressivos, Attractivos, Attrativos de matar, Quando estão meio-cerrados, Enlevados... Enlevados a scismar!...
Porque teu nevado seio, Terno anceio, Com receio, Com receio faz mover ; Porqu'escondes um segredo... Que tens medo, Que tens medo de dizer.
Eu te amo porqu'entendes E compr hendes
Do Bardo o dôce cantar; Porque fólgas de escutal-o; Porque góstas de imital-o, E sabes aprecial-o Em seu poético amar.
És dos Poétas o sonho, Que, risonho, Mais lhes enche os corações. Enlevado no teu riso, O Trovador, d'improviso, Um anjo do paraíso Descreve em suas canções.