Portuguese poem
A Cidade Do Sonho
by António Joaquim de Castro Feijó (1859–1917)
Soffres e choras? Vem commigo! Vou mostrar-te O caminho que leva á Cidade do Sonho... De tão alta que está, vê-se de toda a parte, Mas o ingreme trajecto é florido e risonho.
Vae por entre rosaes, sinuoso e macio, Como o caminho chão d'uma aldeia ao luar, Todo branco a luzir numa noite de estio, Sob o intenso clamor dos ralos a cantar.
Se o teu animo soffre amarguras na vida, Deves emprehender essa jornada louca; O Sonho é para nós a Terra Promettida: Em beijos o maná chove na nossa boca...
Vistos d'essa eminencia, o mundo e as suas sombras, Tingem-se no esplendor d'um perpetuo arrebol; O mais esteril chão tapeta-se de alfombras, Não ha nuvens no ceu, nunca se põe o sol.
Nella mora encantada a Ventura perfeita Que no mundo jámais nos é dado sentir... E a um beijo só colhido em seus lábios de Eleita, A propria Dor começa a cantar e a sorrir!
Que importa o despertar? Esse instante divino Como recordação indelevel persiste; E neste amargo exílio, através do destino, Ventura sem pesar só na memória existe...