Versos Portuguese Francisca Júlia Ângelus

Portuguese poem

Ângelus

by (1871–1920)

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Desmaia a tarde. Além, pouco e pouco, no poente, O sol, rei fatigado, em seu leito adormece: Uma ave canta, ao longe; o ar pesado estremece Do Ângelus ao soluço agoniado e plangente.

Salmos cheios de dor, impregnados de prece, Sobem da terra ao céu numa ascensão ardente. E enquanto o vento chora e o crepúsculo desce, A ave-maria vai cantando, tristemente.

Nest'hora, muita vez, em que fala a saudade Pela boca da noite e pelo som que passa, Lausperene de amor cuja mágoa me invade,

Quisera ser o som, ser a noite, ébria e douda De trevas, o silêncio, esta nuvem que esvoaça, Ou fundir-me na luz e desfazer-me toda.