Versos Portuguese Francisca Júlia Ballada

Portuguese poem

Ballada

by (1871–1920)

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“Eu vou partir. A noite já desmaia. Parto; por isso, candida princeza, Venho beijar as mãos á Vossa Alteza... Botes e náus esperam-me na praia.

Tenho, de certo, de soffrer azares, Dores soffrer; mas hei de, com denodo, Pugnas vencer e conquistar de todo Terra extranhas e remotos mares...

Não sei si morrerei; mas si, princeza, Atravez de procellas e de escolhos, A negra morte me fechar os olhos, Eu morrerei pensando em Vossa Alteza.

Mas, forçoso é partir; adeus, senhora...” “Conde, adeus...” murmurou, baixando a fronte.

A noite desmaiava. No horisonte Já se movia o séquito da aurora.

E ella, a princeza, immersa num lethargo, Ficou olhando a vastidão do oceano.

Rompeu, emfim, o sol. E, a todo o panno, A aventureira náu se fez ao largo...