Portuguese poem
Egypto
by Francisca Júlia (1871–1920)
No ar pesado, nenhum rumor, o menor grito; Nem no chão calvo e secco o mais pequeno adorno; Um velho ibe sómente arranca um raro piorno Que cresce pelos vãos das lageas de granito.
A aura branda, que vem do deserto infinito, Arripia, ao de leve, a agua do Nilo, em torno. Corre o Nilo, a gemer, sob um calor de forno Que, em ondas, desce do alto e invade todo o Egypto.
Destacando na luz, agora, o vulto absorto De um adelo que passa, em caminho da feira, Dá mais um tom de magua ao vasto quadro morto.
Bate na areia o sol. E, num sonho tranquillo, Pompeia, ao largo, a alvura uma barca veleira, A tremer, a tremer sobre as aguas do Nilo.