Portuguese poem
De joelhos
by Francisca Júlia (1871–1920)
Reza de manso... Toda de roxo, A vista no tecto preza, Como que imita a tristeza Daquelle cirio tremulo e frouxo...
E assim, mostrando todo o desgosto Que sobre sua alma peza, Ella reza, reza, reza, As mãos erguidas, pallido o rosto...
O rosto pallido, as mãos erguidas, O olhar choroso e profundo... Parece estar no Outro-Mundo De outros mysterios e de outras vidas.
Implora a Christo, seu Casto Esposo, Numa prece ou num transporte, O termo final da Morte, Para descanço, para repouso...
Psalmos doridos, cantos aereos, Melodiosos gorgeios Roçam-lhe os ouvidos, cheios De mysticismos e de mysterios...
Reza de manso, reza de manso, Implorando ao Casto Esposo A morte, para repouso, Para socego, para descanço
D’alma e do corpo que se consomem, Num desanimo profundo, Ante as miserias do Mundo, Ante as miserias tão baixas do Homem!
Quanta tristeza, quanto desgosto, Mostra na alma aberta e franca, Quando fica, branca, branca, As mãos erguidas, pallido o rosto...
O rosto pallido, as mãos erguidas, O olhar choroso e profundo, Parece estar no Outro-Mundo De outros mysterios e de outras vidas...