Portuguese poem
Carlos Gomes
by Francisca Júlia (1871–1920)
Essa que plange, que soluça e pensa, Amorosa e febril, tímida e casta, Lira que raiva, lira que devasta, E que dos próprios sons vive suspensa.
Guarda nas costas uma escala imensa, Que, quando rompe, espaço fora, arrasta Ora do mar as queixas ora a vasta Sussurração de uma floresta densa.
Ei-la muda, mas tal intensidade Teve a música enorme do seu choro O dilúvio orquestral dos seus lamentos.
Que muda assim, rotas as cordas há de Para sempre vibrar o eco sonoro Que sua alma lançou aos quatro ventos.