Portuguese poem
Em Sonda
by Francisca Júlia (1871–1920)
Quieta, enrolada a um tronco, ameaçadora e hedionda, A boa espia... Em cima estende-se a folhagem Que um vento manso faz oscillar, de onda em onda, Com a sua nocturna e amorosa bafagem.
Um luar mortiço banha a floresta de Sonda, Desde a copa da faia á esplendida pastagem; E o ophidiano escondido, olhos abertos, sonda... Vae passando, tranquillo, um bufalo selvagem
Segue o bufalo, só... mas suspende-lhe o passo O ophidiano cruel que o ataca de repente, E que o prende, a silvar, com suas roscas de aço.
Tenta o pobre luctar; os chavelhos enresta; Mas tomba de cançaço e morre... Tristemente No alto se esconde a lua, e cala-se a floresta...